Saúde bucal do Idoso para além das próteses
Promovido pela Universidade Aberta à Pessoa Idosa (UnAPI) da UFMS, aula do curso de Gerontologia abordou os principais aspectos da saúde bucal dos idosos
No dia 24 de maio ocorreu mais um encontro do curso de extensão em gerontologia. Com o tema de saúde bucal da pessoa idosa, a aula foi ministrada por Ellen Cristina Gaetti Jardim, doutora em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial e docente do curso de odontologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
De acordo com o IBGE, o Brasil conta com 16 milhões de pessoas sem dentes e, segundo a doutora Ellen, quando se fala de cuidar da cavidade bucal da pessoa idosa não se trata apenas de colocar uma prótese (dentadura). A falta de dentes pode representar a manifestação exterior de uma condição e, por trás, pode haver diversos problemas, como a má alimentação ou infecções. A docente explorou esse tópico, junto com outros pesquisadores, ao falar da relação da cavidade bucal com infecções respiratórias em idosos. Por isso é preciso uma equipe multiprofissional para tratar da pessoa idosa, em sua palavras: “auxiliar uma equipe multiprofissional é eliminar os agravos que determinados pacientes têm”
Campanhas sobre prótese dental, por exemplo, não podem ser feitas de forma leviana.”Tudo feito de uma forma muito rápida, sem uma avaliação inicial, tem a tendência de lá na frente não dar certo”. Assim, antes de colocar dentadura é preciso analisar o perfil de cada pessoa, no caso os idosos e idosas. Não é apenas colocar uma peça de tamanho padrão. “[Dentadura] não é roupa, não é P/M/G”.
Nesse sentido, é preciso analisar a pessoa como um todo e não como mais um procedimento. Pessoas idosas geralmente tomam diferentes medicamentos ou apresentam condições físicas que precisam ser analisadas para que, então, se escolha o procedimento bucal ou mesmo medicamentos associados mais adequados para cada indivíduo.
A aula também abordou as principais condições quando se trata da cavidade bucal da pessoa idosa, entre elas está a língua geográfica, um distúrbio benigno que pode gerar acúmulo de alimentos e deixar mal cheiro. Outro problema comum é a língua fissurada que também causa mau cheiro por acúmulo de comida e pode gerar proliferação fúngica (o que pode afetar o paladar e a flora intestinal).
A lição central da aula, colocada pela professora, é que não há saúde bucal sem uma saúde sistêmica, com isso, é preciso observar o paciente como um todo.
Para mais informações, conheça as pesquisas de Ellen C.G Jardim:
Alterações bucais e o manejo odontológico dos pacientes com doença renal crônica: o artigo aborda a questão do trabalho multiprofissional, enfatizado por Ellen, no tratamento de pacientes com doença renal.
Atenção odontológica ao paciente com carcinoma epidermóide em palato mole: essa condição é frequente em homens com mais de 50 anos. O artigo trata da importância do atendimento odontológico nesses casos.
Supragingival and subgingival microbiota from patients with poor oral hygiene submitted to radiotherapy for head and neck cancer treatment: o artigo analisa a relação da radioterapia com a prevalência de microorganismo na cavidade bucal em pacientes com câncer que não receberam um adequado cuidado bucal.
Doença periodontal e doenças cardiovasculares: revisão da literatura. Discute sobre as doenças periodontais como fatores de risco para problemas cardiovasculares.
Texto: Raquel Alves